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Em 1922, o país que Mussolini passa a governar fala dezenas de dialetos mutuamente incompreensíveis, tem um rei que se expressa em francês e uma população majoritariamente analfabeta em italiano padrão. Vinte e um anos depois, o regime cai sem ter conseguido resolver isso, mas não por falta de tentativa.
Concebido pela linguista Valeria Della Valle e dirigido por Vanni Gandolfo, este documentário do Istituto Luce reconstrói, exclusivamente com imagens e vozes do Archivio Luce, a "bonifica linguistica": a campanha do fascismo para fabricar um "italiano novo", viril e homogêneo, à altura do lema "crer, obedecer, combater". As frentes foram várias e todas documentadas em filme pelo próprio regime: a guerra aos dialetos, começando pela escola; a repressão às minorias linguísticas nas regiões anexadas; a autarquia lexical contra os estrangeirismos; e a substituição do pronome de tratamento "lei" pelo "voi", considerado mais romano e menos afeminado.
O título vem do grito dos arditi da Primeira Guerra, adotado pelo fascismo como divisa de desprezo, e é, segundo Della Valle, praticamente a única expressão do repertório do regime que sobreviveu na boca dos italianos. O resto do vocabulário oficial evaporou. O filme é a história dessa evaporação.
Título Original: Me ne frego! Il fascismo e la lingua italiana
Gênero: Documentário, História
Diretor: Vanni Gandolfo
Roteiro: Vanni Gandolfo e Valeria Della Valle
Duração: 58 minutos
Ano de Lançamento: 2014
País de Origem: Itália
Áudio: Italiano
Legendas: Português
